SBC Summit 2026: William Bonalume, Open Gaming, analisa integração tecnológica no setor de apostas

William Bonalume, COO da Open Gaming, será um dos painelistas do SBC Summit 2026, que acontece entre 29 de setembro e 1º de outubro, em Lisboa.

William Bonalume, COO da Open Gaming, falando durante painel do SBC Summit Rio 2026.
Crédito: SBC

O executivo brasileiro participará do painel “Connecting the Game Through Next-Generation Tech Partnerships”, que discutirá como alianças de dados, colaborações entre mídia e tecnologia, recursos visuais baseados em inteligência artificial e pipelines de dados em tempo real estão remodelando a forma como ligas, provedores, broadcasters e operadores se conectam dentro do ecossistema.

Em entrevista ao SBC Notícias Brasil, Bonalume avaliou que o maior desafio para o setor não está apenas na evolução da tecnologia, mas na capacidade de alinhar diferentes participantes do ecossistema em torno de dados, governança, interoperabilidade e responsabilidade.

Bonalume também comentou os impactos da regulamentação brasileira na escolha de parceiros tecnológicos, o uso de inteligência artificial (IA) no jogo responsável e o papel da tecnologia no combate às plataformas ilegais de apostas.

SBC Notícias Brasil: O painel “Connecting the Game Through Next-Generation Tech Partnerships” abordará um ecossistema esportivo mais conectado, com ligas, provedores de dados, mídia, tecnologia e operadores trabalhando de forma integrada. Quais são os maiores gargalos para que essa integração aconteça de forma eficiente?

William Bonalume: A tecnologia está evoluindo muito mais rápido do que a integração entre os diferentes participantes do ecossistema. Hoje, temos soluções altamente sofisticadas para dados, pagamentos, monitoramento de risco, streaming e personalização, mas seu valor é limitado se elas operam de forma isolada.

O maior desafio não é necessariamente tecnológico, mas de alinhamento. Cada stakeholder tem prioridades, métricas e modelos operacionais distintos. Sem uma abordagem compartilhada para a qualidade dos dados, a governança, a interoperabilidade e a responsabilização, perde-se uma quantidade significativa de valor.

Um ecossistema verdadeiramente conectado depende menos da quantidade de tecnologia disponível e mais da capacidade de integrar informações, processos e objetivos entre todos os participantes.

SBC Notícias Brasil: Onde sistemas desconectados geram as maiores perdas operacionais para uma casa de apostas esportivas?

William Bonalume: Quanto mais fragmentada se torna a visão operacional, mais difícil é tomar decisões consistentes. Em um mercado tão dinâmico quanto o de apostas esportivas, timing e contexto fazem toda a diferença.

Quando dados de aquisição, comportamento do jogador, pagamentos e gestão de risco não se comunicam de forma eficiente, os operadores criam fricções desnecessárias para os usuários, aumentam os custos operacionais e perdem a capacidade de identificar riscos e oportunidades rapidamente.

Ao mesmo tempo, um ecossistema bem integrado cria uma jornada muito mais fluida para o jogador. Ele permite que os jogadores acessem jogos com os quais já estão familiarizados, descubram novas mecânicas de forma mais natural e se beneficiem de uma estratégia mais ampla de gamificação construída em torno de seu comportamento individual.

SBC Notícias Brasil: O que operadores brasileiros podem aprender com grupos globais mais maduros?

William Bonalume: A tecnologia não deve ser construída apenas para resolver os desafios de hoje. Cada aprendizado se torna parte do playbook estratégico de amanhã.

Operadores mais maduros conseguem transformar dados em inteligência de negócios porque suas plataformas foram desenhadas para conectar produto, risco, conformidade, marketing e jogo responsável por meio de uma única visão operacional.

Também admiro a forma como esses grupos globais abordam aquisições e expansão de mercado. Muitos deles controlam diferentes partes da cadeia de valor, com negócios B2B operando dentro da mesma estrutura de holding. Isso transforma o que normalmente seria um custo em um ativo estratégico, e essa é uma forma poderosa de escalar um negócio.

SBC Notícias Brasil: Como a regulamentação brasileira mudou a forma como operadores escolhem parceiros de tecnologia?

William Bonalume: A regulamentação elevou significativamente o nível de exigência. No passado, as decisões de tecnologia eram frequentemente guiadas principalmente por desempenho ou velocidade de implementação. Hoje, fatores como segurança, rastreabilidade, governança, conformidade regulatória e auditabilidade têm o mesmo peso.

Os parceiros de tecnologia não são mais simplesmente provedores; eles se tornaram parte fundamental da infraestrutura operacional. Como resultado, os operadores estão avaliando seus parceiros com muito mais cuidado, especialmente em áreas críticas como pagamentos, gestão de risco, prevenção a fraudes e proteção ao jogador.

SBC Notícias Brasil: Como os operadores podem impedir que velocidade e automação criem riscos adicionais para os usuários?

William Bonalume: A automação deve sempre vir acompanhada de supervisão. Há uma tendência de associar velocidade à eficiência, mas, em uma indústria regulamentada, eficiência também significa segurança.

O desafio é construir processos que usem a tecnologia para reduzir a fricção sem comprometer controles essenciais. Quanto mais automatizada uma operação se torna, maior é a necessidade de governança, monitoramento contínuo e revisões regulares dos modelos. A tecnologia pode acelerar decisões, mas a responsabilização, em última instância, continua sendo uma responsabilidade humana.

SBC Notícias Brasil: Como a IA e a automação de processos ajudam operadores a promover o jogo responsável?

William Bonalume: A inteligência artificial permite que operadores identifiquem padrões que levariam muito mais tempo para serem detectados manualmente.

Ela consegue reconhecer mudanças comportamentais, indicadores iniciais de risco, padrões incomuns de gasto e situações que podem exigir uma intervenção preventiva. Isso permite que iniciativas de jogo responsável se tornem mais rápidas, mais precisas e mais personalizadas.

No entanto, a IA nunca deve ser vista como substituta de uma estratégia de jogo responsável. Ela fortalece essa estratégia. Sua efetividade depende da qualidade dos dados, de critérios bem definidos e da capacidade do operador de agir a partir dos insights que ela gera.

SBC Notícias Brasil: A inteligência artificial vem se provando cada vez mais uma parte vital da operação de casas de apostas, mas a realidade é que nem todos ainda estão preparados para utilizá-la de forma eficiente. Quais são os maiores erros que você vê pessoas e empresas do setor cometendo?

William Bonalume: O primeiro erro é acreditar que a IA pode resolver problemas estruturais. Se os dados de base são ruins, os processos são inconsistentes ou os objetivos de negócio não estão claramente definidos, a IA simplesmente vai acelerar problemas que já existem.

O segundo erro é enxergar a IA apenas como uma ferramenta de crescimento, em vez de reconhecer seu valor para a proteção, a eficiência operacional e a melhor tomada de decisão.

Talvez o equívoco mais comum seja esperar resultados imediatos. Uma implementação bem-sucedida de IA exige maturidade operacional, dados de alta qualidade e uma cultura construída em torno da tomada de decisão baseada em evidências. A automação não pode resolver problemas que não foram identificados previamente.

SBC Notícias Brasil: Como você avalia o combate do Brasil às plataformas de apostas ilegais e de que maneira a tecnologia pode fortalecer esse esforço?

William Bonalume: Combater o mercado ilegal é um dos desafios mais importantes enfrentados pela indústria de apostas no Brasil. A regulamentação foi um primeiro passo essencial, mas a regulamentação sozinha não consegue eliminar as operações ilegais.

O sucesso de longo prazo depende de fiscalização contínua, monitoramento e colaboração entre operadores, reguladores, instituições financeiras, provedores de tecnologia e plataformas digitais.

A tecnologia tem desempenhado um papel central nesse esforço. Ferramentas de monitoramento, análise de dados, rastreamento de transações e detecção de padrões suspeitos ajudam a tornar a fiscalização mais eficaz.

Mais importante ainda, combater operadores ilegais não se resume a proteger a concorrência de mercado; trata-se de proteger os consumidores. Quanto mais espaço os operadores ilegais têm para atuar, maior é a exposição dos jogadores a fraudes, à falta de transparência e à ausência de garantias básicas de proteção ao consumidor.

Em última instância, isso compromete a credibilidade de toda a indústria regulamentada.


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Source: https://sbcnoticias.com/br/sbc-summit-2026-william-bonalume-entrevista/?__cf_chl_f_tk=_7Q55XjIvWruViMC5i.WwhliIP8GuHfN9aaju7My7us-1782828423-1.0.1.1-FCVaQJK2fB6zgHxsuVJ.PiEel7t.SXZjfSgUlqr6Cew

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